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Rosa Luxemburgo.
A
mais importante revolucionária do século XX foi assassinada, mas seu legado é
presença viva entre nós.
Rosa
Luxemburgo
Polonesa,
nascida em 5 de março de 1871, envolveu-se desde muito jovem em atividades
estudantis, lutando contra o sistema repressivo então vigente nos colégios da
Polônia. Militante ativa do movimento socialista, teve que deixar seu país em
1889 para não ser presa; em Zurique fez seus estudos sobre economia, concluindo
essa fase de aprendizado com uma tese de doutorado sobre "O Desenvolvimento
Industrial na Polônia".
A
partir de 1894, juntamente com Leo Jogiches, Rosa Luxemburgo dedicou longo período
de luta contra a visão nacionalista do Partido Socialista Polonês, assumindo a
liderança na criação da Social Democracia do Reino Unido da Polônia.
Mas
é a partir de 1898, com sua transferência para a Alemanha, que Rosa Luxemburgo
torna-se personagem destacada entre os socialistas europeus. Nesse período
participa de uma das principais polêmicas do movimento operário internacional,
na medida que se contrapõe aos artigos de Eduard Bernstein, produzindo um
competente e atual material contra o revisionismo e o reformismo, transcrito na
obra "Reforma ou Revolução". Durante o período da polêmica, Rosa
afirma que de fato o movimento dos trabalhadores deveria lutar por reformas, mas
que isso não bastaria para abolir as relações capitalistas de produção - o
movimento operário jamais poderia perder de vista a conquista do poder pela
revolução.
Outro
momento importante na vida da militante Rosa Luxemburgo deu-se durante os
primeiros anos no início do século, quando da discussão sobre a organização
dos socialistas. Naquela oportunidade polemiza com Lênin sobre a organização
do Partido Social-Democrata dos Trabalhadores Russos. Na verdade, faz uma
contundente crítica à sua proposta, expressa no conhecido texto "Um passo
adiante, dois passos atrás". Em 1904 Rosa produz um texto sob o título
"A Questão da Organização da Social-Democracia Russa" onde afirma:
"O ultracentralismo defendido por Lênin aparece-nos como impregnado não
mais de um espírito positivo e criador, mas sim do espírito do vigilante
noturno".
Há
historiadores que afirmam que é a partir da revolução de 1905 na Rússia que
Rosa Luxemburgo desenvolve sua teoria revolucionária. O certo é que sua
publicação de 1906, "Greve de Massas, Partido e Sindicato", se
constitui até hoje numa das principais peças teóricas sobre partido e
movimento de massas - "A revolução russa ensina-nos assim uma coisa: é
que a greve de massas nem é 'fabricada' artificialmente nem 'decidida' ou
'difundida' no éter imaterial e abstrato, é tão-somente um fenômeno histórico,
resultante, em certo momento, de uma situação social a partir de uma
necessidade histórica". Sua preocupação residia em desenvolver uma idéia
estratégica, sem se afastar do compromisso com a revolução socialista, contra
a inércia burocrática do Partido Social-Democrata, procurando vincular a greve
às exigências transformadoras da sociedade, num desafio global contra a ordem
capitalista. "A 'revolução' e a 'greve de massas' são conceitos que não
representam mais do que a forma exterior da luta de classes e só têm sentido e
conteúdo quando referidas a situações políticas bem determinadas".
É
durante esse período (1903 a 1906) que Rosa desenvolve sua teoria sobre
democracia operária, movimento de massa, sempre preocupada em dar respostas
concretas às necessidades da luta de classes e fundamentalmente da organização
revolucionária do operariado. Também é nesse período que seus adversários
recolhem informações para caracterizá-la como espontaneísta; logo Rosa, que,
a vida toda, foi uma pessoa organizada. Mas isso não a impediu de afirmar que:
"a massa não é apenas objeto da ação revolucionária; é sobretudo
sujeito".
Durante
sua militância, Rosa Luxemburgo dedicou também tempo ao estudo acadêmico, em
particular ao desenvolvimento do capitalismo. Segundo alguns pensadores
socialistas é nesse período que produz sua mais importante contribuição teórica,
em particular à teoria econômica, "A Acumulação do Capital",
datada de 1912, onde desenvolve suas idéias sobre as origens e crescimento do
capital, relacionando-as com o desenvolvimento histórico do sistema
capitalista. É bom que se diga que é nessa obra que Rosa, não só disseca o
fenômeno da reprodução do capital, mas também desenvolve sua compreensão e
posição sobre o estágio imperialista do capital. Em tese desenvolve um amplo
combate as posições revisionistas e adaptadas de teóricos ditos de esquerda,
mas que empurravam a classe operária para os braços da burguesia.
Durante
a primeira guerra mundial, Rosa Luxemburgo liderou as posições contrárias ao
envolvimento da classe trabalhadora nesse conflito, esclarecendo seu caráter
imperialista e portanto, negando qualquer participação operária nessa guerra
do capital. Quando em 4 de agosto de 1914 a bancada do Partido Social-Democrata
(seu partido) votou a favor dos créditos de guerra, Rosa Luxemburgo disparou
uma bateria de ataques à direção do partido que culminou com a publicação
do texto "A Crise da Social-Democracia", também conhecido como
"O Folheto Junius", publicado em 1915, no qual faz a seguinte afirmação
sobre a guerra: "A demência não terá fim, o sangrento pesadelo do
inferno não vai parar até que os operários da Alemanha, da França, da Rússia
e da Inglaterra despertem de sua embriaguez, se apertem fraternalmente as mãos
e afoguem o coro brutal dos agitadores belicistas e o grito das hienas
capitalistas no poderoso grito do trabalho - 'Proletários de todo o mundo,
uni-vos!"
No
período em que esteve presa, Rosa Luxemburgo escreve entre outros textos o
importante documento sobre a Revolução Russa de 1917. Além de esclarecer de
uma vez por todas as convergências e divergências com as posições de Lênin,
"A Revolução Russa", redigido no verão de 1918, se constitui numa
das principais obras sobre o socialismo no mundo. Enaltece a iniciativa
revolucionária dos bolcheviques e destaca a importância da Revolução Russa
no cenário internacional, mantendo, porém, sua concepção crítica sobre a
violência revolucionária e a defesa da democracia proletária.
Mesmo
presa, Rosa Luxemburgo não deixou da fazer política, seu núcleo de esquerda,
do qual participavam entre outros Karl Liebknecht, continuou se articulando
dentro do Partido Social Democrata, até ser expulso; a bem da verdade atuava
com programa próprio (redigido por Rosa, em janeiro de 1916) conhecido como
"Princípios Diretores" ou "Diretivas". Esse núcleo foi
historicamente conhecido como "Liga Spartakus". Em 1917 o Partido
Social Democrata expulsou não só os espartaquistas como também um grande
grupo de oposição. Esse grupo, do qual participa a Liga Spartakus, dá origem
ao "Partido Social-Democrata Independente". Registre-se que a Liga
manteve-se organizada no novo PSDI, conservando sua organização e sua política.
Os espartaquistas permaneceram no PSDI até que este decidiu participar do
governo. Em 29 de dezembro de 1918 a Liga decide fundar o Partido Comunista Alemão.
É bom que se diga que a Alemanha vivia um autêntico período revolucionário
(particularmente em novembro e dezembro de 1918 e janeiro de 1919), com amplas
greves, motins na marinha de guerra, soldados confraternizando com o Exército
Russo, com insurreições operárias. As autoridades se mostravam impotentes
para enfrentar as rebeliões; os conselhos de operários e soldados cresciam e
se fortaleciam. Em contraposição, o Partido Social-Democrata defendia
desesperadamente a convocação da Assembléia Constituinte, numa clara posição
em favor da ordem capitalista.
Por
força do movimento social, que a cada momento "ganhava" as ruas, Rosa
Luxemburgo é posta em liberdade em novembro de 1918; sai da cadeia para reforçar
a luta pela revolução socialista. Ao lado de Karl Liebknecht, aposta cada vez
mais no movimento de massas, na greve de massa, dirigindo todas ações do então
criado Partido Comunista Alemão. Postou-se claramente em defesa dos conselhos
operários e soldados. fortalecendo-os, dotando-os de destacado papel político
na construção do poder revolucionário dos trabalhadores. Enquanto socialista,
Rosa Luxemburgo sabia mais do que ninguém que o futuro nos reservaria ou
"socialismo ou barbárie".
Em
15 de janeiro de 1919 Rosa Luxemburgo foi brutalmente retirada, juntamente com o
companheiro Karl Liebknecht, do "aparelho" em que se mantinha
clandestina e assassinada covardemente por paramilitares - sabidamente a serviço
do governo social-democrata alemão. Um tiro levou sua vida, sumiram com seu
corpo, mas nunca conseguiram ofuscar a grandeza de suas idéias: Rosa vive entre
nós!
"Viva o cérebro mais genial dos herdeiros científicos de Marx e Engels!".
*.
O presente material foi produzido pelo Núcleo 5 de Março do Partido dos
Trabalhadores do Distrito Federal.