\n'; document.write(barra); } } changePage();
As eleições 2000 colocam
grandes desafio para todos nós. É preciso um grande salto de qualidade
e de radicalidade na ação do modo petista de governar. Porém é preciso irmos
adiante, ousar muito mais. Além de radicalizarmos o chamado modo petista de
governar, temos um outro grande
desafio: enfrentar o programa político-econômico implementado em nível
federal pelo Governo Fernando Henrique Cardoso. Portanto, as novas gestões
petistas também devem ser de afirmação e fortalecimento do combate ao modelo
neoliberal, gestões que enfrentem
sua expressão maior, o governo
FHC.
Assim
como a maioria do povo brasileiro, a juventude é atacada diretamente
pelo modelo político, social e econômico, implementado por FHC. O
neoliberalismo ao mesmo tempo em que
busca na juventude parte da base de
sustentação social do
modelo, faz esta parte da população vítima
das suas políticas
excludentes. O desemprego, a violência, a crise na educação atingem
particulamente os jovens. São eles grande parte dos desempregados. Na região
Metropolitana de Porto Alegre, por
exemplo, em 1999, segundo o DIEESE
a taxa média de desemprego foi 19%. Na faixa etária de 18-24 anos, este índice sobe
para 28,1%! Ou seja,
se o desemprego já é uma chaga, o desemprego juvenil é uma chaga muito
maior!
Na
efetivação de um modelo
alternativo precisamos nos debruçar sobre as políticas específica, dirigidas
para este setor social. E quando nos propomos a dar “um salto de qualidade”
em nossas administrações, “alcançar um novo patamar”, como afirmamos, a
juventude deve estar pautada nesta construção.
O
PT e a juventude
Nestes vinte anos de PT uma das grandes lacunas de nossa atuação é a
relação partido x juventude. Em nível
nacional, o setorial da juventude
nunca se estruturou de maneira permanente e sistemática . Há anos não temos
Encontro Nacional de Juventude e muito menos Secretaria
Nacional de Juventude. O partido como um todo não tem priorizado o
trabalho de juventude, a ponto, de em todo este tempo, não termos conseguido
constituir uma "juventude petista".
Da
mesma maneira, o 'modo petista de
governar' que reconhecemos como um fator importante na democratização da
política brasileira e de combate
à exclusão social, - embora às vezes não façamos as devidas mediações e
reflexões sobre seus limites
- também não avançou na
formulação e implementação de políticas públicas para a juventude como
seria necessário. Existem experiências importantes - notadamente no governo da
Frente Popular no Amapá e nos
governos petistas de Belém, Santo André e em Porto Alegre - mas que não se
generalizam nas nossas administrações, e têm, ainda, um caráter parcial e
limitado.
A
construção da intervenção petista nas prefeituras e governos de estado
precisa envolver a adoção
de políticas públicas específicas para a juventude. Tradicionalmente, no
Brasil, as diferentes esferas
administrativas ignoram a temática da juventude, ou porque são administrações
conservadoras e priorizam outros interesses, ou porque são administrações
populares que tem dificuldades em
defini-la e tratá-la adequadamente.
Nossos
pressupostos
Para
pensarmos as políticas que vamos implementar para a juventude, é fundamental
resgatarmos um pouco do nosso entendimento este setor. Muitas vezes, quando se
fala em juventude, ou ainda, em políticas
públicas para a juventude, é feita uma relação direta com
direitos da criança e do adolescente e, portanto com o
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Um grave erro, porém comum.
Não
existem iniciativas sistemáticas de políticas públicas para os jovens. As poucas iniciativas dos
governos tem sido
pontuais e fragmentadas. No geral, cada órgão dos executivos
(municipais ou estaduais), no máximo, incorpora programas que afetam
determinados setores da população jovem, sem, no entanto, existirem espaços
de síntese e coordenação. Assim, para a
maioria dos governos brasileiros os jovens são "invisíveis" enquanto
segmento que demanda serviços e políticas próprias.
Ou
seja, o primeiro passo é reconhecer que há um setor específico, chamado
juventude, que tem características próprias e que necessita de uma atenção
singular, de uma intervenção planejada de nossos governos.
Para
efetuar esta intervenção, antes de mais nada,
se requer uma compreensão do que afinal é “ser jovem”, do que é a
juventude.
Historicamente,
procura-se ligar a juventude a um determinado tempo de vida, de forma estanque,
determinando suas características apenas pela faixa etária:
“é de tanto a tanto”. Associa-se
muitas vezes a juventude apenas
à adolescência. Portanto, a adolescência, que a lei afirma ir até a
maioridade, torna-se data limite para a juventude. Esta idéia legal de
compreensão da ligação de juventude à adolescência aparece mais forte nas
expressões usadas no judiciário, como “Vara da Infância e da Juventude”
onde a legislação direta para o setor é a do ECA. Caímos num
formalismo da compreensão do que seja a juventude,
que nos coloca uma restrição temporal, estanque e inflexível, delimitada
através da idade. Esta compreensão é equivocada.
Também
ouvimos falar muito, “a juventude é um estado de espirito”, “ser jovem
está na alma”. Pois bem, perguntamos: como é o estado de espírito jovem? A
juventude é uniforme, todos tem o “mesmo estado de espírito”? Toda a
juventude age da mesma forma? Pensa da mesma forma? Temos desde skinheads,
neonazistas a jovens anarquistas, libertários. Temos jovens socialistas e
jovens neoliberais. Portanto, acreditar numa visão única e construir um
padrão único junto a juventude nos impede
de tentar compreender o jovem como pessoa que age e interage com o meio social.
Dizer que existe um espírito jovem é compreender a juventude com uma forma só
de comportamento, é ver a juventude sem reconhecer suas realidades, o meio
social e a própria formação social
das idéias que afetam determinados
setores da juventude.
Ainda
podemos perguntar: a juventude age da mesma maneira, se organiza de mesma
maneira? Claro que não. A juventude se expressa das mais diversas
formas. Ela está organizada de forma diferenciada, de acordo com as relações
na sociedade, com o meio a que está inserida. Os jovens se organizam em,
tribos, grupos, gangues. Identificam-se pelo estilo, pela música, pela escola,
pela roupa . Temos jovens, rapper’s, punk’s, skinheads, clubber’s,
tradiocinalistas, skatistas. Temos jovens "alienados"
, petistas, ou
pefelistas. Portanto,
não podemos compreender a juventude como algo estanque, amorfo,
uniforme. A juventude na verdade tem várias expressões.
Podemos
tentar compreender os jovens, em
primeiro lugar, como seres sociais, parte do corpo social, que influenciam e
sofrem influências do meio social ao qual
estão inseridos. Portanto,
as diversas condições juvenis estão diretamente ligadas às diversas experiências
juvenis, ou seja, não existe uma juventude uniforme, igual, mas sim existem várias
juventudes. . O certo é que a maioria
dos estudiosos do fenômeno jovem não o classificam como uma classe
social, nem como uma categoria
sociológica específica, muito menos como um grupo homogêneo
A maioria dos
estudos relata duas características que unificariam
um modo
de ser e de
viver do jovem e que
constituiria a "condição juvenil" Essas características
são a
transitoriedade e
o conflito. Transição
é a situação de passagem entre uma condição social de dependência total da
família e do grupo social para outra mais ampla, de novas
possibilidades; um
certo período de preparação
para o ingresso na vida social
adulta. É a ambigüidade
(teórica) "condição juvenil", (donde se
ela confunde com a adolescência) uma
vez que
neste período o jovem deixa de ser criança, mas não é ainda
um adulto (na plenitude de
sua condição de sua vida). A
caracterização da juventude como período
de transição marca uma definição
negativa. O jovem aparece
nessa caracterização como o que não é mais (uma criança) e o que ainda não
é (um adulto).
É
importante entendermos a juventude como um momento de definição: há uma
afirmação de nossas posturas, de nossa orientação
sexual; uma busca por respostas a várias
angústias e questionamentos, enquanto indivíduo e em relação à sociedade.
Como é um momento de experimentação, torna-se também de indecisão e confusão.
Daí advirem parte dos conflitos
e do sentimento de inadaptação.
No
entanto, compreendendo que as juventudes se organizam setorizadas politicamente,
está colocada a necessidade de disputar uma consciência progressista, de
esquerda e socialista na juventude.
Nos regimes fascistas do início do século
XX, principalmente nos regimes de
Hitler e Mussolini, o apelo
cultural era forte e o público central era a juventude. No exemplo alemão, a
adoração ao modelo nazista era ensinada na escola, os jovens doutrinados. Era
uma forma de disputa ideológica junto à juventude.
Ainda hoje temos laços fortes da mentalidade nazista, após várias gerações,
junto às juventudes, e seguidores por todo mundo inclusive no Brasil.
Neste caso, foi realizada uma disputa para a sustentação de um
projeto ideológico e político junto
à juventude.
Na
sociedade capitalista,
o modelo de consumo vê diretamente na juventude um dos seus
alvos para sustentação
deste tipo de sociedade e para a disputa de valores. Os mecanismos de propaganda
e divulgação dos produtos de consumo, bem como a educação institucional, sem
dúvida se mostram como aparelhos de sustentação e convencimento ideológico.
Estar dentro dos padrões da moda, estar sempre competindo e para isso
consumindo é "regra" obrigatória nas telinhas dos meios de comunicação
direcionados ao público jovem. Os grandes centros de consumo, os shopping
centers, criaram uma estrutura que está direcionada à população jovem. Os
centros de compras tornam-se locais de passeio, de namoro, é local de lazer nos
fins de semana da juventude. O apelo que o modelo neoliberal faz à juventude, o
incentivo ao individualismo, os padrões de consumo da sociedade de mercado e as
relações de disputa se apresentam bem alicerçados. Sua base ideológica se
constrói junto com os organizações das juventudes, onde o apelo ideológico
se dá através dos meios de comunicação de massa, e também de forma muito
significativa nas relações postas pelo mercado de trabalho.
Propriedade particular, competitividade, ascensão social via mercado, crítica
a tudo que é público, conformismo, educação voltada para o mercado,
pragmatismo, os jovens são bombardeados cotidianamente
com a afirmação da supremacia destas instituições e valores.
Mostrando que a juventude, assim como o conjunto da sociedade, é fruto
das relações construídas por esta mesma sociedade -
somos agentes que influenciam e sofrem influencia do meio- precisamos
entender que a juventude é setor privilegiado para a disputa ideológica. A
juventude em especial, porque este
é um momento de formação, um momento de afirmação frente ao mundo e, por
isso, a ação dos conservadores é tão forte. É necessário mostrar uma outra
visão de mundo, de sociedade, onde as relações não devam ser as de
propriedade e consumo, mas a da
busca constante de uma sociedade sem desigualdades, mostrando a importância da
construção de uma sociedade socialista.
Disputar ideologicamente não
significa que devemos entrar em uma gincana onde o prêmio é ter mais
militantes de esquerda. Também precisamos contrapor as formas usados pelos
fascistas e pela ideologia de mercado, ou seja a doutrinação, a “lavagem
cerebral”, que são fruto da cultura política que repudiamos. Portanto, em
nenhum momento deve ser utilizada por militantes revolucionários. Precisamos
construir métodos democráticos, que rompam com a cultura de dominação,
que incentivem a participação política e que mostrem uma alternativa
social concreta. Precisamos criar mecanismos que contribuam para superação dos
problemas da juventude - nossas políticas públicas -,
porém sempre remetendo e mostrando que estes são problemas estruturais
e por isso a necessidade de construção de outro modelo social.
Políticas
públicas para a juventude
Quando
pensamos em políticas públicas, para
a juventude muitas vezes caímos apenas nas ações compensatórias.
Portanto, é importante compreendermos quando aplicamos as políticas
para este setor da sociedade, nossa compreensão sobre a juventude. Sem dúvida,
não podemos negar um dos objetivos dos
governos dirigidos pelo campo
democrático-popular, qual seja,
o de combater as contradições postas pelo capitalismo, expresso hoje
mais agudamente aqui no Brasil pelo governo FHC. É fundamental - apesar
de insuficiente - políticas
sociais para contermos as ações
do projeto neoliberal, que coloca milhares de jovens nas filas pelo primeiro
emprego, que degenera uma geração através da cultura voltada para o consumo e
de alienação, que deixa jovens a mercê da violência, que os
ataca diretamente com a condição de miséria.
Porém,
quando pensamos nas políticas públicas para a juventude, para um modelo
alternativo de governo, é preciso ir além. Precisamos combater os resultados
excludentes do modelo vigente em nível nacional, mas é necessário combinarmos
ações que avancem para construirmos consciência política, ampliando os espaços
de participação e construção de consciência socialista junto à juventude.
Assim, formatar espaços de debates e participação efetiva, juntamente com
formação política para a juventude é importante.
Não
podemos pensar em implementarmos políticas públicas para a juventude, sem
vislumbrarmos espaços que compreendam as realidades juvenis.
Ou
seja, é preciso dar visibilidade aos hoje 'invisíveis' jovens. Construindo
espaços de discussão, formulação, participação, apresentação de demandas
e garantia de direitos.
É
impossível construir políticas transversais no que se refere
ao setor jovem da sociedade sem ter um espaço que seja referência para
a juventude, que construa métodos de
aprofundamento sobre concepção e elaboração específica para o setor.
Quando
afirmamos isso, estamos nos referindo aos espaços
institucionais, nos governos petistas, pois
já existem outros espaços de referências
importantes, desde clubes, boates, praças, entre outros. A construção
de espaços de referência de juventude junto aos governos democráticos e
populares é fundamental enquanto espaços de elaboração, participação e
construção de políticas para a juventude.
Juventude
, cultura política e participação
Recentemente,
o Núcleo de Pesquisa e Opinião, da Fundação Perseu Abramo realizou
uma pesquisa sobre Juventude: cultura e
cidadania, em que tratou de vários temas referentes à juventude, suas
expectativas e compreensões. Sobre a questão da cultura política observa-se
que metade dos jovens metropolitanos (50%) considera a política muito
importante, 26% a consideram mais ou menos importante e 20% acham que não é
nada importante. As principais razões que
justificam a importância da política referem-se à compreensão de que ela
"é necessária para governar, administrar e fazer leis" (19%),
"que tudo é feito através da política" (19%). A desimportância da
política está sustentada pela percepção negativa dos políticos,
literalmente porque "não cumprem o que prometem"(18%) e "todos são
corruptos e ladrões "(10%).
Podemos
observar que para os jovens o sentimento de participação política continua
forte, mesmo quando sabemos a força que é desprendida pelo capitalismo para a
sustentação de uma apatia política na juventude. Porém a compreensão política
dos jovens está (pela pesquisa) diretamente ligada ao caráter institucional,
no sentido que se faz política somente através do voto, “a política é
necessária para governar”. É também, mas não só para isso, portanto criar
mecanismos efetivos de participação política da juventude torna-se
fundamental.
Quando
a política aparece de forma negativa junto à juventude, este sentimento se
mostra ligado ao descrédito, explícito na
conhecida a frase “todos são
corruptos e ladrões”. Mais uma vez se cristaliza o entendimento que a política
se restringe ao ato institucional, parlamentar ou executivo. Falta uma compreensão
da política enquanto movimento, enquanto
possibilidade de construção da transformação social. Neste sentido, o PT e
nossos governos precisam se debruçar sobre esta questão e formular ações que
combatam essa tendência de descrédito de setores da juventude e que estimulem
as mais diferentes formas de participação na vida pública, nos movimentos
sociais e nos partidos.
O
Orçamento Participativo avançou neste sentido - abrindo uma discussão sobre
democratização do Estado e participação
- com relação à população em geral,
podendo ser
um dos caminhos para avançarmos
também com relação à juventude. A experiência desenvolvida na prefeitura
petista de Belém, o 'orçamento
participativo da juventude' é uma experiência importante, que precisa ser
socializada, debatida, avaliada, e aprofundada, se articulando com outros
mecanismos e espaços destinados a questão
juvenil em nossos governos.
Contudo,
quando pensamos em construir mecanismos que permitam e fomentem a participação
política da juventude não podemos pensar somente em incentivo e construção
de fóruns burocráticos-institucionais. É importante
termos os meios para fomentar a organização e formação política nos
diversos grupos juvenis, junto à sociedade. Seminários e Conferências de
juventude, por exemplo, tornam-se fundamentais por serem momentos de formação
e construção da cultura política da juventude.
A
necessidade de construção de espaços que buscam contemplar a participação
política da juventude fica evidente ao constarmos o tamanho do descrédito da
juventude enquanto sujeito participante
da esfera pública. A maioria dos entrevistados da pesquisa da
Fundação Perseu Abramo, mesmo achando
a política importante, registram em sua maioria, que acreditam não influenciar
no cotidiano político. Segundo a pesquisa, constata-se
que 56% acreditam não ter nenhuma influência sobre a política, 26% acham que
interferem um pouco e 13% afirmam influenciar muito.
Quando
a questão é a alternativa de modelo político a pesquisa observou, entre três
alternativas, acham que o “socialismo
continua sendo uma alternativa para resolver os problemas sociais", 38% dos
entrevistados; 25% acreditam que o "socialismo já foi uma boa solução,
mas não tem mais futuro", e apenas 11% acreditam que o "socialismo
nunca foi uma boa solução para os resolver os problemas sociais" . 24% não
souberam optar entre as três alternativas. Porém, quando perguntados sobre o
que é socialismo, percebeu-se que 42% não souberam responder, 13% definem como igualdade de condições e direitos. Observa-se um nível muito
grande de desconhecimento sobre o tema socialismo e ainda
um percentual importante que não o
vê como alternativa. Por outro lado, há um grande índice de jovens,
que - mesmo sem saber dizer o que é socialismo - tem uma referência positiva
dele. Ou seja, há espaço para o PT estimular
o debate socialista na juventude.
Na
mesma pesquisa, perguntou-se aos jovens se são membros ou participam das
atividades de algum grupo de jovens. Os
resultados obtidos mostram que 77% não têm envolvimento algum com nenhum
grupo. 22% têm alguma participação, sendo que 16% afirmam ser membro e 6%
apenas acompanharem. Destes que participam, 8% pertencem a grupos religiosos
para jovens e 6% a grupos musicais. Contudo, 33% afirmam conhecer algum grupo
jovem de música no bairro. A participação sócio-política da juventude,
ao longo dos anos vem caindo. Isso se dá pelo próprio descrédito exposto
acima. Após a participação efetiva da juventude contra a ditadura militar e
pelas Diretas já e com o último episódio
mais forte da participação política da juventude de forma específica, o Fora
Collor, as ações com cara própria vem caindo a cada momento.
Quanto
a participação política direta lê-se a tabela abaixo:
|
lê ou assiste noticiário
sobre política |
Sempre
|
20
|
|
De
vez em quando |
47
|
|
|
Nunca
|
33
|
|
|
conversa
com outras pessoas sobre política |
Sempre
|
10
|
|
De
vez em quando |
42
|
|
|
Nunca
|
48
|
|
|
quanto
tem eleição, tenta convencer outras pessoas a votar nos candidatos que
você acha bons |
Sempre
|
15
|
|
De
vez em quando |
16
|
|
|
Nunca
|
70
|
|
|
participa
de associações ou grupo comunitário p/ tentar problemas do seu
bairro/cidade |
Sempre
|
2
|
|
De
vez em quando |
9
|
|
|
Nunca
|
89
|
|
\n';
document.write(barra);
}
}
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|
Sempre
|
3
|
|
|
De
vez em quando |
7
|
||
|
Nunca
|
90
|
||
|
participa
de reuniões de partidos políticos |
Sempre
|
2
|
|
|
De
vez em quando |
6
|
||
|
Nunca
|
92
|
||
|
quanto
tem eleição, faz trabalho voluntário para algum candidato |
Sempre
|
4
|
|
|
De
vez em quando |
10
|
||
|
Nunca
|
86
|
||
|
faz
pedidos para políticos ou funcionários públicos |
Sempre
|
2
|
|
|
De
vez em quando |
8
|
||
|
Nunca
|
89
|
||
|
assina
manifestos de protesto ou de reivindicações |
Sempre
|
7
|
|
|
De
vez em quando |
17
|
||
|
Nunca
|
76
|
||
|
participa
de manifestações a favor ou contra o governo |
Sempre
|
5
|
|
|
De
vez em quando |
12
|
||
|
Nunca
|
83
|
Fica
nítida a necessidade concreta do PT ter um investimento próprio na organização
da juventude petista e no diálogo, na disputa dos 'corações e mentes'
da juventude brasileira. E os governos petistas são um espaço
fundamental para fazer isso. Afinal, nossa inserção na
institucionalidade é uma das nossas frentes de luta mais geral, pela transformação,
rumo a uma outra sociedade. Queremos governar para começar a transformar.
Governar acumulando forças para a ruptura com esse modelo. Portanto, é preciso
realizar com competência políticas sociais inclusivas e, ao mesmo tempo,
ganhar força na sociedade, aumentando a influência da nossa proposta.
Este, sem dúvida, torna-se
um dos maiores desafios das novas gestões do PT, construir mecanismos que
fomentem a participação política,
façam a interlocução real com os jovens e
procurem atender às suas demandas por ações do governo.
Nossas
propostas
Quando
pensamos em políticas públicas para a juventude, e os desafios postos para a
próxima gestão municipal é inevitável pensarmos os mecanismos capazes de
concretizar nossa ação junto a este conjunto de políticas. Além da questão
relacionada à construção e formação
política da juventude, existem as ações de combate ao desemprego,
à violência à miséria, ao vício, à
doença, ao preconceito. Uma ação em relação à ampliação e
descentralização de espaços de cultura, esporte e lazer
para a juventude, assim como e universalizar o acesso à educação
de qualidade.
Priorizar
as políticas públicas para a juventude significa concretizar ações em diálogo
com os jovens e através do desenvolvimento de uma verdadeira política global e
integrada de juventude, que tenha uma perspectiva ao mesmo tempo horizontal
(dando coerência às políticas setoriais das restantes áreas do governo,
através de formas institucionalizadas de coordenação) e vertical, estimulando
a participação juvenil, a livre criação e a circulação de informação no
entendimento de que os jovens são sujeitos e agentes em potencial
de mudança social e cultural.
Portanto,
estas ações devem ser compreendidas não como única e exclusivas
de um setor, de um órgão institucional, mas devem ser construídas de
forma que perpassem as diversas secretarias e órgãos responsáveis pela
implementação das políticas de juventude. É necessário temos um centro
formulador e centralizador de políticas para
a juventude capaz de agir com o conjunto do governo a fim
formulá-las e/ou executá-las. Para isso, esse centro das políticas de
juventude deve ter a flexibilidade e a agilidade.
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Mecanismos
para implementar nossas políticas
Se há um reconhecimento da
particularidade da juventude em relação a outros setores; se é urgente
a necessidade de coordenar as diversas políticas governamentais
que atingem os jovens, e,
principalmente, se realizamos
um esforço para incentivar a
participação política juvenil, é preciso, então, começar
trabalhar novas propostas e abordagens.
Os
diversos programas das administrações
petistas espalhados pelo Brasil,
hoje existentes, como a bolsa-escola, a bolsa-trabalho, os centros de referência
da juventude, as ações de direitos humanos, o orçamento participativo da
juventude, todas eles - e muitos
outros que precisamos formular e/ou implementar - necessitam ser coordenados,
unificados e articulados, tendo dotação orçamentária própria, concebidos e
colocados em prática com a participação dos jovens. Ou seja, precisamos de encará-los como
uma espécie de 'cesta' de políticas públicas para a juventude que
precisam de ter coerência e unidade dentro do governo petista, dando
visibilidade aos jovens enquanto setor.
O
desafio que se coloca para nós então é de duas ordens. Primeiro, conceber e
implantar uma série de ações governamentais no que tangem
especificamente aos jovens, partindo das experiências consolidadas que
temos. Segundo, realizar
uma construção estrutural
(o verdadeiro 'espaço' da juventude no governo)
que prime pela transversalidade na ação,
agilidade e capacidade de fazer a relação com o conjunto do governo.
As
políticas de saúde para a juventude - com seus respectivos programas
dirigidos- devem ser construídas com a Secretaria de Saúde, a política de
educação com a Secretaria de Educação e assim por diante. Porém, é
importante termos um setor responsável por pensar as especificidades das políticas
para a juventude.
Uma
Coordenadoria
de Juventude pode dar conta da
característica transversal na implementação de nossas políticas.
Para resguardar seu caráter geral, de autonomia e ao mesmo tempo de
interligação com conjunto do governo ( e não
com um setor específico)
, esta Coordenadoria deve estar diretamente ligada ao Gabinete do
Prefeito.
As
políticas para a juventude devem ser construídas coletivamente,
pelo conjunto dos jovens da cidade. Desta forma, para iniciar a
implementação de uma política global e articulada para a juventude na
Prefeitura de Porto Alegre, é fundamental um
momento de construção coletiva, que detone um novo processo e uma nova
relação entre a Prefeitura de Porto Alegre e a juventude da cidade. Este
momento é, necessariamente, um
momento de formação.
Assim, é preciso
convocar as entidades, movimentos, associações, ONG's, sindicatos,
igrejas, clubes, enfim, as expressões organizadas da juventude - em toda sua
pluralidade e diversidade - para construir e começar a implantação desta nova
fase, inaugurando um novo patamar
em nossa administração. Para efetivar
essa mobilização direcionando-a para um amplo momento de acúmulo
e debate, uma das ações
prioritárias da Coordenadoria de Juventude é a construção da
Conferência Municipal de Juventude. Um momento de
aprofundamento sobre as políticas para a juventude, de elaboração das
diretrizes gerais para o governo nesta área,
e de debate dos mecanismos de participação (um momento, por exemplo,
para debatermos
como a proposta do 'orçamento participativo para a juventude' pode se
articular com a sistemática já consolidada do OP e com as demais políticas
propostas). O outro objetivo da Conferência
deve ser constituir o Conselho Municipal de Juventude, com característica consultiva
e com a função de analisar as
questões que digam respeito à política global de juventude; ampliando a
democracia na gestão e
envolvendo a administração pública e as expressões juvenis na sociedade
civil.
Simultaneamente,
é importante construirmos um local
(espaço físico) onde a juventude
tenha referência concreta na Prefeitura Municipal. Um espaço onde diversos
projetos, programas, políticas e propostas possam se concretizar.
Ou seja, além dos espaços políticos, precisamos de
local onde se expressem as caras das diversas juventudes, um local onde
possam ocorrer atividades, culturais, sociais e políticas para os jovens. Este
espaço ajuda a dar visibilidade
à política global do governo e à Coordenadoria de Juventude, bem como
ao Conselho Municipal de Juventude. Ou seja, será
um local público de expressão
da identidade juvenil : um Centro
de Referência para as Juventudes.
Somente
a combinação de políticas eficazes (muitas deles já existentes e em execução),
juntamente com uma ação construída, com o conjunto das juventudes, criando
espaços de referência e participação, através de ações democráticas, farão
tornar possível a implementação de políticas públicas para a juventude,
visando o combate as contradições do modelo político implementado em nível
federal e a formação política das juventudes
na cidade.
Algumas
diretrizes, programas e ações
Alguns temas precisam ser tratados de
maneira especial. A questão do emprego para a juventude, a questão da educação,
a questão da cultura, a questão da saúde, o combate à violência, o combate
à discriminação de todos os tipos, são
questões centrais que precisam de ações e projetos específicos por
parte do poder público num governo petista.
Levantamos a seguir alguns deles.
Emprego
para juventude:
Dentro
dos limites para a ação de um governo municipal - e integradamente aos demais
projetos do governo - é preciso desenvolver políticas
de geração de emprego e renda para os jovens, setor particularmente
atingido pelo desemprego. Estas políticas precisam incentivar a formação e
qualificação profissional e desenvolver mecanismos diversos que ajudem a gerar
postos de trabalho acessíveis aos jovens. Assim, devem ser consideradas
diversas propostas, como , por exemplo: 1)
a bolsa-
trabalho (onde jovens ingressam
no programa e recebem bolsas para prestar serviços à comunidade nas áreas sociais
ao mesmo tempo em se
vinculam a programas de formação profissional); 2)promoção de programas de estágios remunerados;
3) criação de mecanismos
que incentivem a iniciativa privada a contratar
jovens, realizando parcerias diversas com a Prefeitura; 4) investimento
em programas específicos de formação
profissional e colocação dos jovens no mercado de trabalho (central de
empregos); 5)frentes de trabalho social remunerado, entre outras.
Educação
A
educação tem sido historicamente uma das poucas políticas públicas
destinadas à juventude. Felizmente, é uma área onde temos grande acúmulo.
Mesmo assim, é possível avançar e inovar com alguns projetos como: 1) Casa Municipal do Estudante
: espécie de albergue de juventude; sabemos que vários estudantes se deslocam
de suas cidades para estudar, e nem sempre conseguem local para morar2)
Programa de alfabetização para Jovens: construir um programa voltado
diretamente para a alfabetização de jovens, levando em conta as características
e realidades juvenis.
Saúde:
É
preciso contemplar na nossa política global de saúde, programas setoriais para
a juventude, como já existem para a mulher, e criança/adolescente.
Sabemos que muitas doenças e problemas de saúde
atingem de maneira própria a juventude. Gravidez
indesejada, complicações decorrentes de abortos provocados,
dependência química, DST/AIDS, atendimento
psicológico, saúde mental. Enfim, é preciso realizar um estudo para
determinar quais os pontos que necessitariam de programas especiais da
Secretaria de Saúde (que seriam articulados com a Coordenadoria de Juventude).
Cultura,
esporte e lazer
:
Uma
área crucial no que diz respeito à juventude. Trata-se da formação cultural,
da disputa de valores, do combate à violência,
do uso do tempo livre, enfim, da promoção dos direitos
e da identidade juvenil. Nosso objetivo geral é universalização do acesso à cultura, aos bens
e à produção culturais e também a constituição de espaços públicos
de cultura, esporte e lazer e
para a juventude. Neste sentido, é fundamental: 1) construir
o espaço do Centro de Referência das Juventudes; 2) desenvolver ações que
incentivem a prática desportiva; 3) realizar
a Bienal da Juventude: atividade com características, culturais,
artísticas e políticas, com exposições de artes plásticas, teatro, shows,
palestras e painéis referentes a juventude 4) criar o Festival Música e Juventude:
festival de bandas e cantores e cantores jovens, uma oportunidade para as chamadas “bandas de garagem” e
talentos em geral. 5) construir um Programa
de Ocupação do Tempo Livre : o lazer é direito, cabe ao poder público
incentivar e propiciar aos jovens meios para usufruir do tempo livre (construção
de praças, quadras, clubes, e projetos esportivos-culturais). Enfim, uma série
de projetos e ações podem ser concebidos e desenvolvidos de maneira integrada
nesta área.
Defesa
do meio-ambiente e desenvolvimento sustentado:
A
Secretaria Municipal do Meio-Ambiente deve
desenvolver um trabalho específico, conjuntamente com a Coordenadoria de
Juventude no sentido de promover a educação ambiental, realizando programas e
parcerias com as entidades juvenis e priorizando o objetivo de ganhar as novas
gerações para a defesa da sobrevivência do planeta e para uma consciência sócio-ambiental.
Combate às discriminações e
preconceito:
É
preciso que os órgãos que tratam de
Direitos Humanos de nossas prefeituras
realizem ações em parceria
com a Coordenadoria de Juventude no sentido de implementar projetos específicos
que combatam, junto aos jovens, as diferentes formas de preconceito, discriminação
e violência.
É preciso instituir programas que valorizem o povo negro, que combatam
os estereótipos e preconceitos com relação aos portadores de deficiência,
aos gays e lésbicas; que
promovam a igualdade de gênero. Ações afirmativas da pluralidade : contra o
racismo, o machismo, a homofobia, a xenofobia. Afinal, se a juventude é momento
privilegiado na formação do cidadão, a melhor forma de projetar uma sociedade
onde 'todos sejam iguais, sendo diferentes' é
formar gerações com os valores da tolerância e respeito às diferenças.
Habitação
:
Constitui-se
num tema importante, normalmente não
considerado pela ótica das políticas para a juventude. Para os jovens a habitação
significa, sobretudo, a oportunidade de alcançar sua autonomia e construir sua
base para o futuro, para a vida adulta. Devemos contemplar - inseridos em nosso
programa habitacional geral - formas
de acesso facilitado do jovem à habitação, que estimulem
principalmente o cooperativismo entre a juventude.
Juventude
da Articulação de Esquerda
Inverno
de 2000.