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O PT E O MOMENTO ATUAL
mobilização social e eleitoral
para derrotar o governo e construir a alternativa popular
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1. A postura subserviente da maioria
governista do Congresso, cedendo à chantagem do Governo e votando o salário
mínimo de R$151,00 representou mais um duro golpe para milhões de trabalhadores
e aposentados que continuam pagando o custo do ajuste fiscal imposto pelo FMI.
Completados
mais de 6 anos de mandato, é evidente o fracasso de FHC. Não teve e não tem possibilidade
de cumprir as promessas com as quais foi eleito em 1994 e 98. Sua política
econômica logrou a estabilidade dos preços mergulhando o país em brutal
recessão, desarticulou e desnacionalizou o sistema produtivo e provocou desestruturação social sem precedentes, do
que são testemunhos o desemprego, a degradação das políticas sociais, a
exclusão e a violência crescentes.
A
discreta recuperação da economia em curso não oferece perspectivas
consistentes; está ameaçada, dentre outros fatores, pela instabilidade
econômica internacional à qual irresponsavelmente fomos atrelados.
2. Esse quadro, apesar de agravado, não é novo. A novidade está na consciência
que a sociedade brasileira tem sobre a
natureza do governo FHC e em sua disposição de lutar contra ele.
O
que antes aparecia como perda de popularidade do presidente, agora se traduz em
manifestações de protesto que se multiplicam por todo o país.
Já
na marcha dos 100 mil a sociedade brasileira deu mostras de descontentamento e
de combatitividade. As mobilizações de agora, ainda que atomizadas, apontam
para um novo patamar. Elas combinam reivindicações salariais e pela terra com a
exigência de políticas agrícolas, e de proteção de pequenos produtores e
trabalhadores autônomos, como os caminhoneiros. Expressam o sentimento de
indignação cotra injustiças seculares cometidas contra índios e negros e reúnem
trabalhadores da saúde e funcionários públicos, estudantes e professores na
defesa da saúde, da administração e da Educação Pública, sucateadas pelo atual
governo. Mas o que está unindo estas
mobilizações é a consciência crescente de que o atual governo fracassou
e de que o país necessita de nova
política e de novo governo.
3. A crise do modelo e o desastre social
que acarretou, provoca reações contraditórias
no governo e em sua base de sustentação.
A
votação do salário mínimo mostrou que
parte dos que apóiam o governo procura não assumir o desgaste da atual
política econômica. As deserções de parlamentares só não foram maiores em
função da chantagem a que eles foram submetidos.
Pressionados
pela péssima repercussão da situação do país no exterior, o governo tenta
justificar o injustificável. Malan fala de “mazelas sociais” e Fernando
Henrique reconhece, mas relativiza, nossas desigualdades.
O
governo, e o presidente em especial, continuam desqualificando a crítica e as
ações da oposição.
4. O
novo na ação do governo é a violência contra as manifestações com as
quais a sociedade repudia suas políticas.
Primeiro,
a repressão contra índios, negros, estudantes e outros manifestantes que
protestavam contra a farsesca comemoração dos “500 anos”. Depois, a ofensiva
policial contra trabalhadores rurais e a tentativa de criar um clima de instabilidade institucional no
país. ACM chega a pedir intervenção das FFAA para “restabelecer a ordem”. O
Governo Federal foi cúmplice da repressão selvagem contra o MST no Paraná.
Aceitou a falsa versão sobre o assassinato de um trabalhador sem-terra,
tornando-se conivente com mais um crime no campo. Só distanciou-se do
enquadramento de trabalhadores na Lei de Segurança Nacional em função do clamor da opinião pública. Dias depois aplaudiu a repressão da PM de
Mário Covas contra grevistas. Antes decidiu ressuscitar o velho SNI e não
hesitou em reviver a censura à TV. Setores da grande imprensa fizeram sua parte
tentando indispor os sem-terra com a opinião pública da forma mais sórdida
possível.
A intransigência na
defesa do modelo neoliberal, a consciência que têm da instabilidade da economia
mundial e a disposição que possui de impor ao povo maiores sacrifícios para
cumprir acordos com banqueiros pode levar o governo ao caminho de uma ditadura
civil, o que só alcançará reprimindo os movimentos sociais. Com ameaças de
repressão busca impedir que as lutas setoriais se transformem em luta social
organizada e alternativa eleitoral capaz deproduzir uma mudança de governo.
5. Essas atitudes do governo são fruto de uma escolha consciente e
determinada. Através delas FHC acredita poder fazer face às dificuldades que
têm pela frente no curto e médio prazos, que decorrem também do instável quadro
internacional e latinoamericano.
O
atual governo não está disposto a nenhuma mudança de rumo. Não é capaz de
auto-reforma. Prosseguirá em sua orientação conservadora e aprofundará o ajuste,
conforme se pôde ver há poucos dias. Na mesma hora em que a repressão se
desatava contra os manifestantes na Av. Paulista, o governo anunciava o corte
de mais de R$5 bilhões no orçamento recentemente aprovado, o que irá golpear
mais as políticas sociais e os investimentos.
O
governo busca jogar os movimentos sociais uns contra os outros, bem como
indispor o PT com os movimentos.
Não
vacilamos em defender e prestar nossa irrestrita solidariedade aos que lutam
contra as políticas do governo FHC. É ele que destrói o patrimônio público,
ameaça a soberania, atropela a democracia e a Constituição.
Mas o governo começa a compreender que sua intransigência
provoca crescente resistência na sociedade. Como não pretende mudar de rumo,
persiste na desqualificação das oposições e - o que é mais grave - na sua
repressão. Essa fato confere caráter mais autoritário ao governo.
O
governo percebe igualmente que a persistência nessa política pode ter
resultados desastrosos do ponto de vista eleitoral neste ano e em 2002.
6. A perspectiva deste fracasso, contribui
para a crise na base de sustentação política do governo, onde não aparece uma
fórmula unificadora capaz de dar continuidade ao projeto neoliberal. Todas as
esperança estão centradas em uma recuperação da economia suficientemente forte para produzir mudanças
a seu favor da opinião pública. Como essa hipótese é improvável, começam a ser
analisadas nos laboratórios políticos das elites, alternativas para frustrar
uma provável vitória da oposição. Re-reeleição a la Fujimori, parlamentarismo,
apoio a uma candidatura aparentemente dissidente, mas que dê continuidade, com
mudanças cosméticas, ao modelo econômico. Essas e outras são as fórmulas
estudadas, na falta, até agora, de “homens providenciais” capazes de evitar o pior.
Mas
é sintomático que até agora as pesquisas apontem como favoritos para 2002
candidatos que aparecem aos olhos do eleitorado como de oposição ao atual
estado de coisas.
7. O quadro latinoamericano é complexo. As
pressões norte-americanas se intensificam. As negociações sobre a ALCA, frente
a qual o Brasil dá mostras de capitulação, avançam. Altas autoridades dos EUA
criticam nossa situação social, nossa “falta de liderança continental”, com o
objetivo talvez de forçar nossa participação numa intervenção militar na
Colômbia.
Os
indicadores econômicos e sociais de todos os organismos internacionais
coincidem em que a situação do continente piorou nestes dez anos de experimento
neoliberal. As conseqüências são:
conflagração social latente ou aberta em países como Equador, Bolívia,
Paraguai e Peru, com claros indícios de desagregação do sistema político.
Aprofunda-se o conflito armado na Colômbia.
Há avanços político-eleitorais das esquerdas, como os registrados no
Uruguai, em El Salvador, na República Dominicana e os que se avizinham nas eleições municipais deste ano no Brasil
e na Nicarágua. Houve vitórias de correntes de centro-esquerda na Argentina e
no Chile que, independentemente dos rumos que esses governos tomaram e venham a
tomar, expressaram um sentimento
popular de oposição ao modelo conservador. Em certa medida, essa vontade de
mudança pode permitir a derrota do PRI nas próximas eleições mexicanas, ainda que com um candidato de
centro-direita.O colapso do sistema político venezuelano, que permitiu a
eleição de Hugo Chávez se inscreve na mesma dinâmica mudancista.
O
Brasil não ficará fora deste processo de mudança. O rumo que ele tomará depende
em grande medida da capacidade das oposições, e do PT em particular, de
construir uma alternativa para a situação atual.
8. Cada dia que passa fica mais claro que
a solução da profunda crise econômica, social. política e moral porque passa o
país exige uma nova política e um novo governo.
Grosso modo, os programas com os quais as
esquerdas disputaram as eleições de 1994 e 1998 oferecem as bases para a formulação de um projeto de um novo
Brasil, justo, democrático e soberano, ainda que tenham de ser adaptados às
novas realidades do país nos próximos anos.
Os
grandes desafios estão na constituição de uma ampla base social e política que
permita vencer as eleições mas, sobretudo, governar o país com uma nova
política em ruptura com o modelo atual.
É
necessário prosseguir o processo de acumulação de forças que passa pela
reagrupação do movimento popular, hoje ainda disperso e enfraquecido pelos
efeitos da crise e pela constituição de um eixo político integrado por todos os
setores opostos ao neoliberalismo e comprometidos com um Programa Democrático e
Popular.
É
necesário enfatizar a defesa das liberdades democráticas, como as de ir e vir,
de manifestação e de expressão. É necessário bater-se contra novos e velhos
“entulhos autoritários”. Por essa razão apoiamos a iniciativa dos deputados
Milton Temer e José Genoíno, que apresentaram projeto revogando a Lei de Segurança Nacional.
Contra
um governo que busca dar aparência de legalidade ao autoritarismo e à burla da
Lei é necessário resistir, indo até mesmo à desobediência civil frente a ameças
que surjam contra a Constituição e as leis.
O
combate à corrupção, narcotráfico e
crime organizado ganha importância pela generalização desses delitos em todos
os poderes e esferas da administração pública. Essas práticas criminosas
corroem as instituições e os valores políticos, lançam a política e os
políticos na descrença e desmoralizam a
cidadania, tornando a sociedade cética. apática e impotente e propensa a
aceitar soluções autoritárias. Apesar da imagem ética que o PT manteve, não é
automático que o aprofundamento da atual crise de valores beneficie nosso partido.
Não basta fazer uma crítica moral dos partidos da ordem e de seus dirigentes. É
necessário construir uma resistência republicana através de inciativas
políticas e jurídicas que, não só inibam práticas delituosas, como as previnam
Nesta
conjuntura em que o governo tem enormes dificuldades de resolver os graves
problemas que afligem o país, a tendência é o crescimento dos protestos. O PT
deve colocar-se mais ainda à frente dessas mobilizações, deixando claro que
somente um novo projeto de ruptura com o atual modelo pode apontar para uma
saída democrática e popular para a crise.
Longe
de representar risco eleitoral para nossos candidatos, tal postura contribui
para a nacionalização de nossas campanhas, combinando temas gerais com
programas municipais , o que fará a diferença com as candidaturas do campo
conservador.
9. A reconstrução da alternativa
democrática e popular, capaz de derrotar FHC e criar as bases para um novo
governo, coloca para o PT e para as esquerdas grandes desafios:
·
manter a pressão do
movimento popular nas ruas, buscando articular as atuais reivindicações
sociais em um vasto movimento de
oposição às políticas conservadoras do governo. A instância central de
coordenação da mobilização popular é o
Forum Nacional de Lutas, que teve papel decisivo na marcha dos 100 mil e está
chamado a cumprir funções na conjuntura. É de fundamental importância articular
os calendários de mobilização deste ano, inclusive o Plebiscito Nacional da
Dívida Externa dando ênfase para uma nova grande manifestação no segundo
semestre. A CUT deve voltar a mobilizar o proletariado industrial como o fez
nos anos 80, encabeçando a luta contra
o arrocho salarial, o desemprego e a informalidade;
·
a campanha
eleitoral, que passará a ganhar intensidade a partir de fins de junho, deve,
nos termos da Resolução aprovada anteriormente pelo Diretório Nacional,
combinar a defesa de nossas propostas no âmbito municipal com a perspectiva
mais geral e nacional de luta por uma nova política e por um novo governo. Ela
deve articular a disputa do eleitorado como o prosseguimento e aprofundamento
das mobilizações sociais. Os resultados das eleições municipais terão efeito
decisivo para debilitar o governo. A vitória das esquerdas nas principais
cidades sinalizará que o país quer mudanças, preparando o caminho democrático e
popular para 2002;
·
ainda que as
esquerdas não estejam unidas no primeiro turno das eleições, é fundamental que esta unidade se expresse na
oposição ao governo FHC, com base num programa comum e no compromisso de apoio
mútuo no segundo turno. Para tanto, é importante que a campanha eleitoral não
aprofunde divergências s
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Diretório
Nacional do Partido dos Trabalhadores
São
Paulo 27-28 de maio de 2000.
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